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A Pessoa como Centro
Revista de Estudos Rogerianos
Primavera – Maio 1999 Nº 3
Editorial Odete
Nunes Apresentação dos
Autores Reformulação de Sentimentos
- Reflections of Feelings Carl
Rogers Biografia de Carl
Rogers João
Hipólito Princípios e Métodos da Terapia
Familiar Centrada no Cliente
Ned
Gaylin Terapia Centrada na Pessoa – O
Estado da Arte Peter
Schmid Psicoterapias Humanistas e
Existenciais Helena
Escoval Grupo e Empatia Afonso H. Lisboa
Fonseca Uma Abordagem da Relação de
Ajuda Odete
Nunes Notas de Leitura Notícias Documentos - Documents
Programa
de Formação APPCPC - Training Program of PAPCPC Código
Deontológico da APPCPC -
Deontological Code of PAPCPC Congressos e Conferências
Gostaria de chamar a atenção
dos leitores para o facto de neste número termos o privilégio de incluir um
artigo original de C. Rogers, no qual o autor tenta precisar o que entende por
reformulação e qual o seu objectivo fundamental. As
ideias de C. Rogers no âmbito da psicologia e da psicoterapia começaram a ter
impacto no final do primeiro terço do nosso século, essencialmente pela forma
como conceptualizou o ser humano e, como a partir de um percurso de pesquisa,
sistematizou um conjunto de factores que considerou favoráveis ou desfavoráveis
ao desenvolvimento da pessoa. Considerado por muitos como um
dos expoentes máximos da corrente humanista da Psicologia, C. Rogers contestou
uma abordagem psicológica robotizada da pessoa e enfatizou a valorização e o
respeito que deve ser dado à singularidade como cada uma vivencia a sua
experiência. Assim, a compreensão da pessoa não pode ser feita a partir da
análise de elementos ou funções, explicada através de noções químicas, físicas
ou neurológicas, mas sim, percepcionada e compreendida como uma totalidade
interactiva que tem uma especificidade genética e uma história própria,
construída segundo a integração de um referencial de valores e assente na
qualidade e diversidade de experiências vivenciadas num dado contexto
socio-cultural. A subjectividade vai assim surgindo, evidenciando-se a
originalidade como cada pessoa está-no-mundo. Embora já no final do século,
as ideias de C. Rogers continuam a ter actualidade. É, pois, de toda a evidência
que cada vez mais o ser humano, ao sentir-se vítima da alienação resultante da
escalada da evolução tecnológica, manifesta vivamente a necessidade de ser
respeitado nas suas diferenças, na sua originalidade, nas suas ideias e nos seus
sentimentos, isto é, de ser considerado como um ser único. Neste número apresentamos uma
biografia detalhada de C. Rogers que nos permite conhecer as diferentes
influências que contribuíram na organização da sua teoria e compreender, também,
o seu percurso pessoal e profissional (João Hipólito); uma reflexão sobre o
trabalho com grupos (Ned Gaylin e Afonso da Fonseca); o estado da arte da
terapia rogeriana (Peter Schmit); uma perspectiva sobre duas correntes da
psicologia (Helena Escoval); uma abordagem sobre a relação de ajuda (Odete
Nunes). Uma das actividades da
Associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e Counselling tem como
objectivo a formação ministrada a diferentes níveis. A equipa da Revista
considerou pertinente, como forma de dar a conhecer aos interessados, incluir
neste número as normas de formação, assim como, publicar um anúncio sobre
algumas das indicações para o próximo curso que possibilita três níveis: monitor
de relação de ajuda, counsellor ou psicoterapeuta. Termino agradecendo aos autores, a toda a equipa da Revista e a todos os que deram o seu contributo para a realização deste número.
Apresentação dos
Autores
É Doutorado em Medicina.
Psiquiatra e Psicoterapeuta Centrado no Cliente. Presidente da Associação
Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e Counselling. É Professor
Catedrático da Universidade Independente (Lisboa) e no Instituto Superior de
Psicologia Aplicada (Lisboa) é Director do Curso de Pós-Graduação em Relação de
Ajuda. Psicoterapeuta Formador.
Professor de Estudos Familiares na
Universidade de Maryland (E:U:A:), onde é Director do Programa de Educação
Clínica e Formação em Terapia de Casal e Familiar
Teólogo praticante e psicólogo
pastoral, Professor Associado da Universidade de Graz, trabalha como
psicoterapeuta e formador centrado na pessoa no “Institute for Person-Centered
Studies” (IPS) do “Arbeitsgemeinschaft Personenzentrierte Psychotherapie,
Gesprächsführung und Supervision” (APG), em Viena, é membro da “Person-Centered
Association” (PCA) na Áustria, membro honorário da Associação Portuguesa de
Psicoterapia Centrada na Pessoa e de Counselling (APPCPC) e membro do Conselho
Científico da Revista Portuguesa “A Pessoa Como Centro: Revista de Estudos
Rogerianos”.
Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, lecciona as disciplinas de Português e Inglês na Escola E.B. 2,3 de Alcabideche. Encontra-se presentemente a finalizar uma Pós-Graduação em Relação de Ajuda no Instituto Superior de Psicologia Aplicada. É Professora Formadora.
Afonso Henrique Lisboa da Fonseca
é psicólogo, psicoterapeuta e facilitador de grupos. Foi aluno de Carl Rogers no
Center of Studies of the Person, de La Jolla, Califórnia, em 1979. Actualmente,
é professor em Programas de Formação em Psicologia e Psicoterapia
Fenomenológico-Existencial, em especial Abordagem Centrada na Pessoa e
Gestalterapia, no Brasil. É Autor de inúmeros artigos e livros de Psicologia e
Psicoterapia Fenomenológico-Existencial, publicados em revistas brasileiras e de
outros países, entre os quais se destaca a sua participação, juntamente com Carl
R. Rogers, John K. Wood e Maureen M. O’Hara, na obra «Em Busca de Vida. Da
Terapia Centrada no Cliente à Abordagem Centrada na Pessoa», de 1983.
Mestre em Psicopatologia e
Psicologia Clínica pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e doutoranda
em Psicologia Social na Universidade de Toulouse. Psicoterapeuta Centrada no
Cliente. Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na
Pessoa e de Counselling. Assistente
no Instituto Superior de Psicologia Aplicada leccionando no Curso de
Pós-Graduação em Relação de Ajuda e Assistente na Universidade Independente no
Curso de Psicologia. Psicoterapeuta
Formadora.
REFORMULAÇÃO DE SENTIMENTOS
REFLECTIONS OF FEELINGS Tradução de Rute Brites Reformulação, termo usado para
descrever um certo tipo de resposta do terapeuta e pelo qual sou, em parte,
responsável. No entanto, ao longo dos anos comecei a sentir algum
descontentamento relativamente a essa opção. Principalmente, porque a “reformulação de sentimentos” foi
frequentemente ensinada como uma técnica e, por vezes, como uma técnica muito
rígida. Tendo por base as
expressões escritas do cliente, espera-se que se aprenda a elaborar uma
reformulação de sentimento “correcta” - ou ainda pior, a seleccionar a resposta
“correcta” a partir de uma listagem de escolha-múltipla. Esta forma de
aprendizagem tem muito pouco a ver com uma relação terapêutica eficaz. Por isso,
tornei-me cada vez mais alérgico ao uso deste termo. Por outro lado, sei que muitas
das minhas respostas, numa entrevista - como é evidente em exemplos publicados -
parecem ser “reformulações de sentimentos”. Interiormente, discordo.
Decididamente, eu não pretendo fazer “reformulação de sentimentos”. Depois,
recebo uma carta do meu amigo e antigo colega, Dr. John Shlien, de Harvard, o
que torna o meu dilema ainda mais complicado. Ele escreve-me: “A
reformulação” está injustamente condenada. Foi muito bem criticada, quando
explicaste o ridículo inexpressivo em que ela poderia tornar-se, nas mãos de
pessoas insensíveis, e foi muito bonito o que escreveste sobre isso. No
entanto, esqueceste o outro
aspecto. É um instrumento de virtuosidade artística nas mãos de um ouvinte
sincero, inteligente e empático. Tornou possível o desenvolvimento da terapia
centrada no cliente, num momento em que a filosofia não o podia ter feito
sozinha. A desacreditação, não merecida, da técnica conduz a alternativas pouco
consistentes em nome da “congruência”. Interrogando-me sobre esta
questão, cheguei a duas formas de compreensão. Do meu ponto de vista, como
terapeuta, eu não tento fazer “reformulação de sentimentos”. Eu tento saber se
está correcta a minha compreensão do mundo interior do cliente - se eu estou a
entender esse mundo exactamente como ele, ou ela, o está a experienciar naquele
momento. Cada uma das minhas respostas contém uma pergunta não declarada, “É
isso que se passa dentro de si? Será que cheguei à compreensão exacta da cor, da
textura e do gosto daquilo que experiencia neste momento? Se não, gostava de ver, em paralelo, a
minha compreensão e a sua”. Por outro lado, sei que, do
ponto de vista do cliente, nós exibimos um espelho de toda a sua experienciação.
Os sentimentos e os significados pessoais parecem muito mais nítidos quando
reflectidos e vistos através dos olhos de outra pessoa. Por isso, sugiro que estas
respostas do terapeuta não sejam designadas por “Reformulações de Sentimentos”,
mas sim, “Testagem de Compreensões” ou “Confirmação de Percepções”. Creio que
estas expressões são mais rigorosas e mais úteis na formação dos terapeutas,
constituindo uma forte motivação para as respostas, uma interrogação mais do que
um desejo de “reformular”. No entanto, ao compreender a experienciação do
cliente, nós temos consciência de que tais respostas funcionam de facto como um
espelho. Isto é maravilhosamente expresso por Sylvia Slack (1985, págs. 41-42)
quando ela fala das suas reacções numa sessão de terapia realizada frente a uma
grande audiência e gravada em vídeo. “Visionar as gravações,
ajudou-me a ter uma ideia mais clara do processo de “counselling”. Era como se o Dr. Rogers
fosse um espelho mágico. As imagens por mim enviadas, em direcção ao espelho,
faziam parte do processo. Eu olhava para o espelho para conseguir um vislumbre
da minha realidade. Se eu tivesse tomado consciência de que o espelho era
afectado pelas imagens recebidas, o reflexo teria parecido distorcido e não
muito verdadeiro. Embora eu tivesse a consciência de que enviava imagens, a
natureza destas não era verdadeiramente discernível até ao momento em que elas
eram reflectidas e clarificadas pelo espelho. Era grande a curiosidade sobre as
imagens e sobre o que elas revelevam sobre mim. Esta experiência deu-me a
oportunidade de ter uma ideia de mim própria, a qual era inatingível através das
percepções dos observadores externos. Este conhecimento interior de mim própria
permitiu-me fazer opções mais adequadas à pessoa que vive dentro de
mim.” Tal como Sylvia Slack aqui dá a
entender e, posteriormente, desenvolve, é importante que a compreensão do
terapeuta seja correcta, de uma forma sensível, de modo que a imagem do espelho
seja clara e não distorcida. Isto significa pôr de parte os nossos próprios
juízos e valores a fim de atingir
com delicado rigor o significado exacto que o cliente experiencia no momento.
Reflectir e escrever sobre isto foi muito esclarecedor para mim. Do ponto de
vista do terapeuta, eu posso continuar a testar a minha compreensão do meu
cliente, através da experimentação, compreender o seu mundo interior. Reconheço
que para o meu cliente estas respostas são, naquilo que elas têm de melhor, uma
clara imagem de espelho, imagem dos significados e percepções tal como
experienciadas pelo cliente que está a explicitar e a produzir conhecimento
interior.
Although I am
partially responsible for the use of this term to describe a certain type of
therapist response, I have, over the years, become very unhappy with it. A major
reason is that “reflection of feelings” has not infrequently been taught as a
technique, and sometimes a very wooden technique at that. On the basis of
written Client expressions, the learner is expected to concoct a “correct”
reflection of feeling — or even worse, to select the “correct” response from a
multiple-choice list. Such training has very little to do with an effective
therapeutic relationship. So I have become more and more allergic to the use of
the term. At the same time I
know that many of my responses in an interview — as is evident from published
examples — would seem to be “reflections of feelings.” Inwardly I object. I am
definitely not trying to “reflect feelings.” Then I receive a letter from my
friend and former colleague, Dr. John Shlien of Harvard, which still further
complicates my dilemma, He writes:
“Reflection” is
unfairly damned. It was rightly criticized when you described the wooden mockery
it could become in the hands of insensitive people, and you wrote beautifully on
that point. But you neglected the other side. It is an instrument of artistic
virtuosity in the hands of a sincere, intelligent, empathic listener. It made
possible the development of client-centered therapy, when the philosophy alone
could not have. Undeserved denigration of the technique leads to fatuous
alternatives in the name of “congruence.” Puzzling over this
matter, I have come to a double insight. From my point of view as therapist, I
am not trying to “reflect feelings.” I am trying to determine whether my
understanding of the Client’s inner world is correct—whether I am seeing it as
he/she is experiencing it at this moment. Each response of mine contains the
unspoken question, “Is this the way it is in you? Am I catching just the color and texture
and flavor of the personal meaning you are experiencing right now? If not, I
wish to bring my perception in line with yours.” On the other hand,
I know that from the client’s point of view we are holding up a mirror of
his/her current experiencing. The feelings and personal meanings seem sharper
when seen through the eyes of another, when they are reflected. So I suggest that
these therapist responses be labeled not “Reflections of Feeling, but “Testing
Understandings, or “Checking Perceptions.” Such terms would, I believe,
be more accurate and would be helpful in the training of therapists, by
supplying a sound motivation in responding, a questioning, rather than a desire
to “reflect.” But in understanding the client’s experience, we can realize that
such responses do serve as a mirror. This is beautifully expressed by Sylvia
Slack (1985, pp.41-42) as she tells of her reactions in a therapy interview held
in front of a large audience, and video-taped. “Watching the tapes
helped me to visualize the counseling process more clearly. It was like Dr.
Rogers was a magical mirror. The process involved my sending rays toward that
mirror. I looked into the mirror to get a glimpse of the reality that I am. If I
had sensed the mirror was affected by the rays being received, the reflection
would have seemed distorted and not to be trusted. Although I was aware of
sending rays, their nature was not truly discernible until they were reflected
and clarified by the mirror. There was a curiosity about the rays and what they
revealed about me. This experience allowed me an opportunity to get a view of
myself that was untainted by the perceptions of outside viewers. This inner
knowledge of myself enabled me to make choices more suited to the person who
lives within me.” As she hints here,
and goes on to elaborate, it is important that the therapist’s understanding be
so sensitively correct that the mirror image is clear and undistorted. This
means laying aside our own judgments and values in order to grasp, with delicate
accuracy, the exact meaning the client is experiencing. Thinking these toughest
and writing them out, has been clarifying for me. I can continue, from the therapist’s
point of view, to test my understanding of my client by making tentative
attempts to perceive his/her inner world. I can recognize that for my client
these responses are, at their best, a clear mirror image of the meanings and
perceptions as experienced by the client which is clarifying and
insight-producing.
Biografia
de Carl Rogers
Resumo: O presente trabalho traça uma panorâmica da
evolução do pensamento de Carl Rogers, inserindo-a no contexto da sua biografia.
Os principais conceitos rogerianos, nos diferentes campos das ciências humanas,
são abordados sucintamente. Palavras-Chave: Carl Rogers; Terapia Centrada no Cliente;
Abordagem Centrada na Pessoa; Pedagogia Centrada no Aluno; Orientação
Não-Directiva Abstract:This
paper presents a overview of the evolution of Carl Rogers thinking, placing it
in the context of his biography. The main rogerian concepts, in the different
fields of humain sciences, are shortly discussed. Key-Words: Carl Rogers; Client-Centered-Therapy; Person-Centered Approach; Student Centered Learning; No-Directive Orientation
Princípios
e Métodos da Terapia Familiar Centrada no
Cliente
Tradução de Rute Brites
Resumo:
A Terapia Familiar
Centrada no Cliente reconhece a unidade familiar como um contexto significativo
e importante para o processo de Terapia Centrada no Cliente. Ao contrário das
abordagens sistémicas tradicionais da terapia familiar, na Terapia Familiar
Centrada no Cliente os membros da família são vistos como indivíduos interagindo
e crescendo dentro do complexo rico da família, e não simplesmente como partes
funcionantes do todo. Assim, os clientes são vistos no contexto da família,
interagindo como indivíduos dentro desse contexto: o terapeuta lida com as
múltiplas realidades dos membros da família bem como com a sua experiência
partilhada. Como a Terapia Centrada no Cliente individual, a Terapia Familiar
Centrada no Cliente assenta nos princípios das tendências actualizantes. No
entanto,a Terapia Familiar Centrada no Cliente conceptualiza a tendência
auto-actualizante como incorporando a família. Esta elaboração, subtil mas
palpável, do processo de auto-actualização, alarga os métodos de trabalhar com
indivíduos no contexto familiar. Assim, ao mesmo tempo que a Terapia Familiar
Centrada no Cliente assenta sobre as condições nucleares tradicionais,
modifica-as para incluir os processos interaccionais dos membros da família
cliente. Palavras-Chave: Terapia Familiar; Tendência Actualizante
Familiar; Reformulação
Abstract:
Client-Centered Family Therapy recognizes the family unit as a significant and
meaningful context for the process of Client-Centered Therapy. Unlike
traditional systems approaches to family therapy, in Client-Centered Family
Therapy members are seen as individuals interacting and growing within the rich
complex of the family, not simply as functioning parts of the whole. Thus,
clients are seen in the context of the family and interacted with as individuals
within that context: The therapist deals with the multiple realities of family
members as well as their shared experience. Like individual Client-Centered
Therapy, Client-Centered Family Therapy is grounded in the tenets of the
actualizing tendencies. However, Client-Centered Family Therapy conceptualizes
the self-actualizing tendency as incorporating the family. This subtle but
palpable elaboration od the self-actualizing process extends the methods of
working with individuals within the family context. Therefore, while
Client-Centered Family Therapy draws upon the traditional cores conditions, it
modifies them to include interactional processes of client family
members. Key-Words: Family Therapy; Family Actualizing Tendency; Reflection
Terapia Centrada na
Pessoa
O Estado da Arte
Resumo: Carl Rogers (1961 a, 163) disse, certa vez: “Hoje
em dia, a maioria dos psicólogos considera-se insultado se for acusado de pensar
em termos filosóficos. Não consigo deixar de me interrogar sobre o significado
disto.” Nesta
exposição1 , vou enunciar resumidamente, e de acordo
com o meu ponto de vista, algumas questões relativas ao estado da arte da
profissão de Terapeuta Centrado na Pessoa ou “Counsellor”, sem pretender ser
exaustivo, limitando-me às áreas filosóficas e antropológicas mais básicas, a
algumas partes do puzzle filosófico centrado na pessoa, pois eu creio que o
estado da arte, hoje em dia, nos
nossos círculos, significa que é uma virtude ser-se confrontado com questões e
ideias filosóficas sobre o que fazemos. Palavras-Chave: Estado da Arte; Teoria; Crítica Abstract: Carl Rogers (1961a, 163) once stated: „In these days most psychologists regard it as an insult if they are accused of thinking philosophical thoughts. I cannot help but puzzle over the meaning of what I observe.“ In this statement2 I am going to name some subjects concerning the state of the art
of the profession of a Person–Centered Therapist or Counselor in short from my
point of view — without claiming to be complete of course — and I restrict
myself to the more basic philosophical and anthropological areas, to some parts
of the person–centered philosophical puzzle, because I assume state of the art
nowadays in our circles is that it is a virtue to be encountered with
philosophical questions and ideas about what one does. Key-Words: State of the Art; Theory; Critic
PSICOTERAPIAS HUMANISTAS E
EXISTENCIAIS ESTUDO COMPARATIVO
Resumo: Para atingir os objectivos que nos propomos,
consideramos de vital importância uma abordagem etimológica de alguns conceitos
tais como Existencialismo, Humanismo e Fenomenologia. Em seguida a Psicologia
Fenomenológica Existencial e os Modelos Humanistico‑Existenciais são
apresentados numa perspectiva histórica e filosófica, com uma breve referência
às origens dos Métodos Terapêuticos. Apresentamos depois
uma visão geral da Psicoterapia Rogeriana no que diz respeito à relação
terapêutica e ao papel do terapeuta no processo de crescimento do cliente. No que se refere às
Psicoterapias Existenciais seleccionamos a Logoterapia de Victor Frankl e a
Análise Existencial de Rollo May entre os outros modelos existenciais. Finalmente tentamos
uma análise comparativa dos modelos referidos, salientando as diferenças entre
as Psicoterapias Existenciais e a Terapia Centrada no Cliente. Palavras-chave: Existencialismo – Humanismo –
Fenomenologia – Relação Terapêutica – Psicoterapias Existenciais – Terapia
Centrada no Cliente. Abstract: In order to reach the objectives we propose to, we consider of vital importance an ethimological approach of some concepts such as Existencialism, Humanism and Phenomenology. Then Existential Phenomenological Psychology and Humanistic‑Existential models are presented in a historical and philosophical perspective, with a brief reference to the origins of the therapeutic methods. We present afterwards a general approach of the Rogerian Psychotherapy in what concerns the therapeutic relationship and the role of the therapeutist in the growing process of the client. In what refers to the Existential Psychotherapies we select the Logotherapy of Victor Frankl and the Existential Analysis of Rollo May among the other existential models. Finally we try a comparative analysis of the refered models, emphasizing the similarities and the differences between the Existential Psychotherapies and the Client Centered Therapy. Keywords: Existentialism – Humanism – Phenomenology – Therapeutic Relationship – Existencial Psycotherapies – Client Centered Therapy.
GRUPO E EMPATIA
Resumo: Discutem-se neste artigo
certos aspectos característicos do funcionamento grupal segundo o modelo de
facilitação da ACP. Em particular, aspectos das relações do colectivo grupal com
participantes individuais, que são profundamente marcados por um sentido
empaticamente compreensivo e múltiplo. Comenta-se que de uma forma
característica estes modos de funcionamento se configuram como uma articulação
da intervenção de uma multiplicidade de participantes polarizada pela expressão
da actualidade vivencial de um participante individual. Entendemos ser esta uma
característica básica dos grupos facilitados segundo o modelo de facilitação da
Abordagem Centrada na Pessoa - ACP. Palavras-Chave: Grupo, empatia, empatia
grupal, auto-regulação, ACP. Abstract In this article we discuss some aspects of
the group process of groups facilitated accordingly the model of facilitation of
the PCA. Particularly aspects of the relationship of the group as a colective
with individual participants which are deeply marked by a multiple comprehensive
empathic meaning. We comment that these grupal ways of functioning are
configurated as the articulation of the intervention of a multiplicity of
participants polarized by the expression of the actual experience of an
individual participant. We understand that this is a basic characteristic of
groups facilitated accordingly the group facilitation model of the PCA. Key-Words: Group, empathy, group empathy, self-regulation, PCA.
UMA ABORDAGEM SOBRE A RELAÇÃO DE AJUDA
Resumo:
Pretendemos neste artigo apresentar uma reflexão sobre a concepção do termo
relação de ajuda, quer quando é utilizado na prática da vida quotidiana quer no
sentido mais específico da prática profissional. São salientados
algumas das ideias de Carl Rogers na forma como perspectiva a pessoa e o impacto
destas nas especificidades que introduz numa abordagem da relação de ajuda
centrada na pessoa. Por último
apresentamos as diferenças que consideramos relevantes entre dois dos quadros de
relação de ajuda, nomeadamente a psicoterapia e o counselling. Pal Abstract: At the present article we aim at presenting a reflection on the Help Relationship concept whether it is used in the daily life practice or, more specifically, in professional performance. Some of Carl Rogers’s views in the way he looks at the person are outstanding as well as their impact on yhe specifications which he introduces in the help relationship on person centered approach. Lastly we’ll present the differences that we
consider relevant between two sets of help relationship, namely the
psychotherapy and the counselling. Key-Words: Relationship – Communication – Help relationship – Non-directivity – Psychotherapy – Counselling. |
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