A
Pessoa como Centro
Revista
de Estudos Rogerianos
Nº
7
Primavera
–
Verão
2001

ÍNDICE
Editorial Odete Nunes
Apresentação dos Autores
Integração Familiar
e Doença Crónica Incapacitante: uma Abordagem Rogeriana
Fernanda de Mendonça Capelo
Mediação Familiar - A «Escuta Activa»: Requisito Básico da
Mediação Familiar
Maria José Barbosa
Mulheres sós aos 50 anos: autónomas, agentes,
afiliativas e felizes Single
Women in Their Fifties: Autonomous, Agentic,Affilitive & Haappy
Suzanne Spector
O Paradigma Rogeriano da Pessoa como Centro na
Perspectiva da Liberdade Pessoal Roger`s Paradigm of the Person as Centre in the Perspective of
Personal Freedom Brissos Lino
Empatia e
Compreensão Empática
Empathie et compréhension empathique
Silvina Vida Larga
Mudança e discurso em terapia
Ana Monção
A TERAPIA CENTRADA NA
PESSOA:
os desafios da clínica
Elizabeth
Freire & Newton Tambara

Editorial

Odete
Nunes
De
acordo com os objectivos que norteiam a metodologia na selecção dos artigos que
compõem os diferentes números da nossa Revista, continuamos a privilegiar a
diversidade e a qualidade.
Foram seleccionados para este número, um conjunto de artigos de autores
nacionais e estrangeiros que reflectem sobre o desenvolvimento da pessoa
inserida nos diferentes contextos existenciais, bem como, alguns dos aspectos
actuais ligados à relação de ajuda.
Uma
das temáticas abordadas é a família no âmbito da integração e da doença crónica
(Fernanda Capelo). e no âmbito da mediação familiar (Maria José Barbosa).
Incluímos também os textos de dois autores, nomeadamente um que
faz uma reflexão sobre a sabedoria que é necessário ter na convivência com a
idade, referindo-se particularmente às mulheres de 50 anos (Susana Spector) e
outro que se interessa pelas questões da gestão da liberdade pessoal tendo como
pano de fundo os princípios da Abordagem Centrada na Pessoa (Brissos Lino).
É
ainda equacionada a relação de ajuda enfatizando a atitude de compreensão
empática (Silvina Vida Larga), a especificidade do discurso em terapia (Ana
Monção), e os desejos da clínica (Elisabete Freire & Newton Tambara ).
Em
nome da equipa da revista A Pessoa como Centro: Revista de Estudos Rogerianos,
agradeço a todos os autores que nos enviaram artigos para publicação permitindo,
assim, a sua realização.
Por ultimo, agradeço a colaboração de toda a equipa, nomeadamente à Drª
Ana Cristina Pinto, directora adjunta deste número e a João Hipólito, autor das
fotografias incluídas.

Fernanda de Mendonça Capelo
Licenciada em Ciências da Educação – ramo
Administração Escolar e Direcção Pedagógica, Pós Graduação em Relação de Ajuda.
Assistente da Escola Superior de Educação Almeida Garrett – Universidade
Lusófona. Lecciona a Cadeira de Metodologias Integradas na Licenciatura em
Educação de Infância e as Cadeiras de Actividades na Educação Pré-Escolar e
Desenvolvimento Profissional do Educador de Infância, aos Complementos
Científicos de Formação Pedagógica em Educação de Infância.
Maria José Coutinho Barbosa
Licenciada em Direito e Pós-Graduada em Estudos Europeus
pela Universidade Católica Portuguesa. Pós-Graduada em Relação de Ajuda pelo
Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Mediadora Familiar formada pela
Associação Nacional para a Mediação Familiar – Portugal em colaboração com o
Centro de Estudos Judiciários.
Mediadora Familiar do projecto GESPOSIT – Gestão Positiva
de Conflitos, do programa comunitário Connect 2000. Exerce as funções de
Mediadora no âmbito da reinserção social de ex-toxicodependentes, no CAT de
Loures.
Suzanne Spector
Psicoterapeuta e Counseller numa
Clínica privada em Cardiff na Califórnia. Dirigiu grupos e programas Centrados
na Pessoa. Durante alguns anos tem sido Directora do centro de Estudos da Pessoa
em La Jolla na Califórnia. Autora de vários artigos da somática sobre o papel da
mulher.
Brissos Lino
Doutor em Teologia, com
especialização em Psicologia Pastoral (Aconselhamento), pela FATEFI – Faculdade
de Teologia Filadélfia Internacional. Pós-Graduado em Relação de Ajuda, pelo
Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Pós-Graduado em Gestão de
Stress, pela Universidade Independente (UnI).
Secretário Pedagógico do CIPEP (Universidade Autónoma de Lisboa).
Counsellor Clínico e Familiar. Director do
Gabinete de Apoio à Juventude da Câmara Municipal de Setúbal. Técnico
responsável do Gabinete de Apoio Psicológico (G.A.P) do Hospital de S. Bernardo,
em Setúbal.
Silvina Maria da Quinta Vida Larga
Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – variante de
Estudos Portugueses / Franceses – pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa.
Curso de Pós-Graduação em Relação de Ajuda, no Instituto Superior de Psicologia
Aplicada de Lisboa
Ana Monção
Doutoramento na área da Psicolinguística. Licenciada em
Línguas e Literaturas Modernas. Assistente do Departamento de Linguística da
Universidade Nova de Lisboa. Tem a parte curricular do Mestrado em Linguística
Descritiva. Apresenta nas Provas de Aptidão e Capacidade Científica o trabalho
“Do processo interpretativo no discurso esquizofrénico”. Fez parte do Grupo de
Estudos de Teorias do Texto (GETT/ UNL). Psicoterapeuta Centrada no Cliente.
Elizabeth Freire
Newton Tambara

Integração Familiar e Doença Crónica Incapacitante: uma Abordagem
Rogeriana
Fernanda de Mendonça
Capelo
Resumo:
Este trabalho versa
sobre o grau de integração do paciente dependente na família e a pergunta de
partida que orienta toda a investigação é a seguinte: Haverá uma relação entre o
grau de integração familiar do paciente dependente, o grau de dependência e os
anos de dependência ?
Foi definida a seguinte
Hipótese : O grau de integração diminui à medida que aumentam o grau e o tempo
de dependência. Como variáveis foram definidas uma dependente (grau de
integração do paciente em relação à família), uma intermédia (tempo de
dependência) e outra independente (grau de dependência).
São apresentados os
modelos teóricos da Integração Social, da Família, da Dependência, da Doença
Crónica e da Relação de Ajuda no modelo da ACP. Este trabalho é de cariz
transdisciplinar, uma vez que versa áreas científicas que vão da Sociologia e
Psicologia Social, à Psicologia da Saúde e à Relação de Ajuda.
Quanto à metodologia,
foi escolhido como método principal a Observação Indirecta, utilizando como
técnica o questionário por entrevista semi-estruturada. Para determinar o grau
de dependência foi utilizada uma grelha de avaliação da capacidade funcional
adaptada de Critchon; para determinar o grau de integração familiar foi
utilizado o APGAR Familiar proposto por Smilkstein (1978) que ajuda a determinar
a percepção que o doente tem da sua família e consequentemente o seu grau de
integração familiar.
Como conclusão geral
pode afirmar-se que a hipótese formulada se confirmou, ou seja, tanto o grau de
dependência como o tempo de dependência diminuem a integração familiar dos
pacientes, embora a idade dos pacientes seja igualmente uma variável. No
entanto, importa referir que a amostra utilizada neste estudo é demasiado
reduzida para se poderem fazer generalizações da hipótese e que seria necessário
um estudo mais alargado para que tal pudesse ser feito.
Palavras-Chave:
Integração, Família,
Dependência, Doença Crónica, Cuidados de Saúde, Relação de Ajuda, Abordagem
Centrada na Pessoa.
Abstract :
The subject of this work is the level of family integration of the
dependent patient and the investigation develops from the following question: Is
there a relation between the level of integration of the dependent patient, the
dependence level and the years of dependence?
The following hypothesis was raised: The level of integration lessens as
the level and duration of dependence increase. Variables were defined, one
dependent ( the level of integration of the patient in relation to the family ),
one intermediary ( the dependence’s duration ), and another independent (level
of dependence ).
The theoretical models of Social Integrity, Family, Dependence,
Chronicle Disease, Help Relation in Client Centred Therapy, are introduced. This
work has a Tran disciplinary approach, as it broadens into different scientific
fields, which go from Sociology and Sociological Psychology to Health Psychology
and Help Relation.
As to method, we chose Indirect Observation mainly, using the technique
of questioning in a semi-structured interview. In order to determine the degree
of dependence a table was used to evaluate the functional capability, based on
Critchon ; in order to determine the degree of family integration the AGPAR
Familiar proposed by Smilkstein ( 1978 ), which helps to determine the
perception the patient has of his /her family and therefore the degree of family
integration.
As a general conclusion it can be stated that the raised hypothesis was
confirmed, which means both the dependence degree and its duration lessen the
patient’s family integration, although the patient’s age is also a variable.
However, it should be considered that the sample used in this study is too short
to allow generalizations of the raised hypothesis and that a broader study would
be required for that purpose.
Key Words :
Integration,
Family, Dependence, Chronicle Disease, Help Relation, Person Centred Approach.

A
«ESCUTA ACTIVA»: REQUISITO BÁSICO DA MEDIAÇÃO FAMILIAR
Maria José Barbosa
Resumo :
Neste trabalho é feita uma reflexão sobre a importância da «Escuta Activa». São
apresentados os conceitos de Mediação Familiar e «Escuta Activa» e tecidas
algumas considerações sobre a utilização deste último ao longo de todo o
processo de Mediação Familiar. Apresenta-se a «Escuta Activa» como requisito
para que a Mediação Familiar possa levar à mudança psicológica. Delineiam-se
fronteiras entre Relação de Ajuda, Intervenção Psicoterapêutica e Mediação
Familiar.
O
objectivo da Mediação Familiar é o de chegar a um projecto uno, construído e
aceite por ambas as partes.
Este
artigo considera que a Mediação Familiar inspirada na Abordagem Centrada na
Pessoa assenta na premissa de que o ser humano é capaz de avaliar a sua situação
e fazer escolhas construtivas. Apesar da conflitualidade existente no início do
processo de mediação, as pessoas que recorrem ao mediador familiar têm uma
participação activa e directa na resolução do seu conflito, sendo as próprias a
encontrar formas de organização adequadas às suas exigências e aos seus
interesses.
Palavras-chave : Conflito, Divórcio, Escuta Activa, Mediação Familiar.
Abstract:
This
article reflects on the importance of «active listening». The concepts of
Familiar Mediation and «active listening» are presented and the use of the
latter throughout the process of Familiar Mediation is considered. The active
listening is presented as a requisite for Familiar Mediation to lead to
psychological change.
Bounds
are defined between Help Relation, psychotherapeutic intervention and Familiar
Mediation.
The goal
of Familiar Mediation is to come to a unified project built and accepted by both
parts.
It is
considered that Familiar Mediation, inspired in the Person Centred Approach is
based on the principle according to which the human being is capable of
evaluating his situation and make constructive choices. In spite of initial
conflicts, people who look for the family mediator play an active part in
finding the solution to their problem and in finding ways of organization
suitable for their demands and interests.
Key-Words:
Conflict – Divorce – Active Listen – Familiar Mediation

Mulheres sós aos 50 anos: autónomas, agentes, afiliativas e
felizes
Suzanne Spector
Resumo:
Resumo:
Trata-se de um estudo sobre o sentimento de bem-estar das mulheres "sós", na
faixa etária dos 50/60 quer sejam sós, divorciadas ou viúvas, contrariando a
velha ideia da solteirona solitária ou da mulher separada ou viúva deprimida e
acabada.
A autora
entrevistou 20 mulheres "sós" nos EUA, Grã-Bretanha, Japão e da antiga União
Soviética sendo a maioria da classe média, com filhos, educação média e com
profissão activa. As participantes foram retiradas de programas de ACP rogeriana
ou, pelo menos, com algum conhecimento dessa formação.
A autora analisa depois as
suas conclusões em termos de identidade pessoal, ou seja, o relacionamento
dessas mulheres consigo próprias e com os outros; em termos de "agência", ou
seja, com o seu modo do estar com acção ou a exercer poder, agindo em beneficio
de outrem; e em termos do "conexão", ou seja, em termos da sua não dependência
de relacionamentos passados ou presentes, pelo que as suas relações se tornam
mais genuínas, intimas ou autónomas.
A autora conclui que as
mulheres "sós" desenvolvem uma identidade mais diferenciada e mais livre não
sendo a perda da relação um impedimento ao auto-desenvolvimento e à
auto-expressão. Estão mais conscientes do seu poder e da sua responsabilidade, o
que lhe foi dado pela sua experiência de vida. São mais confiantes e autênticas
sendo capazes de maior intimidade. São autónomas, independentes e
auto-realizadas tendo encontrado os meios para serem eficazes no seu mundo.
São, como diz a autora, uma
"unidade estabelecida".
Abstract:
This is a study
about single women between their 50's and 60's feeling-good about themselves and
their lives, being either unmarried, divorced or widowed, contradicting the
overshot idea of the lonely single women or the depressed and dried-up divorced
or widowed one.
The author
interviewed twenty single women in the United States, Great Britain, Japan and
the former Soviet Union, most of them middle-class, having been married, with
children, educated and professionally active. Participants were located from
programs in the Rogerian Person-Centered Approach or from connections with
people associated with them.
The author
analyses her conclusions in terms of personal identity, which means those
women's relationship with themselves and the others; in terms of "agency", which
means, their experience of being in action or exerting power, acting on behalf
of another; and in terms of connection, which means, in their sense of
independence of past and present relationships, being their relations more
genuine, intimate and autonomous.
She concludes
that the "single" women develop a more differentiated and free identity being
the loss of the relationship no long a deterrent to their self-development and
self-expression. They are more conscious of their personal power and
responsibility given by their life experience. They get more self-confident and
authentic, being able of creating more intimacy. They are autonomous,
independent and self realized having found the way to be efficient in their
world. They are, as the author says, a "ground
unity".
Palavras-chave: Mulheres "sós" depois dos 50;
Auto-Desenvolvimento; Autonomia; Relacionamento; Auto-Realização
Keywords: Single women in their
50's and 60's; Self-Development; Autonomy; Relationship; Self-realization

O PARADIGMA
ROGERIANO DA PESSOA COMO CENTRO NA PERSPECTIVA DA LIBERDADE PESSOAL
Brissos Lino
(Comunicação apresentada nas I Jornadas de Abordagem Centrada na Pessoa, a 18 de
Novembro de 2000, na Universidade Independente, em Lisboa.)
Resumo: A Abordagem Centrada
na Pessoa traduz-se, ao nível das relações humanas, numa forma de estar única.
Essa atitude relacional nem sempre é adequadamente compreendida, dada a
complexidade da natureza da própria abordagem, paradoxalmente comparável ao mais
simples dos humanos, a criança.
Aparentemente simples, em
teoria, a ACP, pela sua natureza, requer uma preparação essencialmente prática,
experiencial, facilitadora da interiorização dessa dita forma de estar. Só assim
se permitirá efectivar o conceito da pessoa como centro, numa prática da relação
de ajuda, desenvolvida por C. Rogers, que privilegia uma atitude não-directiva
face ao cliente.
A sua visão humanista do
mundo e das relações sociais e humanas tornou o conceito de pessoa um fim em si
mesmo. Num mundo concebido para e por pessoas, qualquer processo terapêutico
deverá basear-se na experiência pessoal e na vontade do cliente.
O ser humano, na concepção
de Rogers, possui capacidades, potencialidades, características extremamente
estimulantes, direccionadas para a realização, derivadas de um “mecanismo”
inato, a Tendência Actualizante. Trata-se sobretudo de uma concepção positiva do
ser humano, que exige uma aceitação incondicional.
A liberdade torna-se, então,
condição essencial em qualquer relação humana. Na ACP, a liberdade – liberdade
para ser (sem julgamento, sem desvalorização, sem adulação) – constitui um
elemento-chave no processo terapêutico. Ao ser olhado positiva e
incondicionalmente, o cliente sente-se interiormente valorizado, na sua
liberdade, e volta a acreditar em si mesmo, possibilitando a expressão da
Tendência Actualizante – a consciência de si próprio, e das escolhas pessoais.
A concepção do ser humano,
segundo a ACP, e as implicações dessa concepção, quer ao nível da compreensão
transcultural, educação, relações familiares e laborais, quer ao nível da
prática da relação de ajuda, constituem a grande contribuição de Carl Rogers,
mundialmente reconhecida.
Palavras-chave: Pessoa –
Natureza – Liberdade – Tendência Actualizante – Relação de ajuda.
Abstract : The
Person Centered Approach traduces itself at the level of the human relations, in
a unique form of being. That relational attitude is not always understood, given
the complexity of the nature of the approach itself, paradoxically comparable
to the most simple of humans, the child.
Apparently
simple, in theory, the Person Centered Approach, by it’s nature requires an
essentially practical, experiential preparation, facilitator of the
interiorising of that form of being.
Only this way,
will be permitted to effect the conceit of the person as centre, in a practice
of help relationship, developed by Carl Rogers, which privileges a non-directive
attitude, faced on the client.
His humanist
vision of the world and of social and human relations made the conceit of the
person an end in itself. In a world conceived for and by people, any
therapeutic process should be based on personal experience and on the client’s
will.
The Human
being, in Carl Roger’s conception, possesses capacities, potentialities,
extremely stimulating characteristics, directed to the realization , derived
from an innate “mechanism”, the Actualizing Tendency . Above all, it is about,
a positive conception of the human being, that demands his unconditional
acceptance.
Freedom
becomes, then, an essential condition in any human relation. In Person Centered
Approach, freedom – freedom to be (without judgement, without depreciation,
without flattering) – forms a key-element in the therapeutic process.
Being looked
upon positively and unconditionally, the client feels interiorly valued, in his
freedom, and begins to believe in himself again, making possible the expression
of Actualizing Tendency - the consciousness of himself, and the personal
choices.
The conception
of the human being, according to Centred Person Approach and the implications of
that conception whether at the level of transcultural comprehension, education,,
labour and family relationships, whether at the level of the great contribution
of Carl Rogers, recognized in the whole world.
Key-words:
Person – Nature – Freedom – Actualizing Tendency – Help relationship

Empatia e Compreensão Empática
Silvina Feijão
Resumo :
Este artigo consiste
numa sistematização sobre a importância da empatia e da compreensão empática no
contexto da Abordagem Centrada na Pessoa. É o resultado da leitura, numa
perspectiva diacrónica, de alguns textos de Carl Rogers e tenta-se apresentar,
ainda que de forma sucinta, o percurso de Rogers até chegar ao conceito de
compreensão empática.
Abstract:
This article
consists of a systematization of the importance of empathy and empathic
comprehension in the context of Person-centered approach . It is the result of
the reading, in a diacronic perspective of some texts by Carl Rogers. We try to
present here, though in a concise way, Roger`s way until the reaching of the
concept of empathic comprehension.
Palavras-Chave: Empatia;
compreensão empática; incongruência; não directividade; comunicação.
Key-words :
Empathy , empathic comprehension, incongruence, no-directivity, comunication.

Mudança e discurso em terapia
Ana
Monção
Resumo : Este artigo salienta a importância do
comportamento verbal de cliente e terapeuta na mudança psicoterapeutica. São
apontadas algumas questões importantes para a investigação futura : a
necessidade de 1) uma caracterização, em termos linguísticos, do comportamento
verbal do terapeuta, comparando informação proveniente dos mesmos e de
diferentes modelos psicoterapeuticos, 2) uma investigação dos efeitos, no
discurso do cliente, de determinadas respostas do terapeuta, 3) uniformizar, de
acordo com critérios linguísticos, diferentes tipologias de comportamento
verbal, de terapeuta e cliente, 4) determinar as unidades mínimas de discurso a
codificar.
Palavras-Chave : Comportamento verbal, Discurso
Terapêutico, Comportamento Verbal do Terapeuta, Respostas Empáticas,
Interpretação, Investigação, Mudança.
Abstract:
This paper emphasizes the importance of verbal behavior of both client and
centered therapist on psychotherapeutic change. It points out some important
issues to future investigation: the need for 1) a characterization, in
linguistic terms, of verbal behavior of therapists, comparing data from the same
and different psychotherapeutic models, 2) an investigation of the effects on
client’s discourse of certain therapist responses, 3) uniformizing, on
linguistic criteria, different typologies of verbal behavior of therapists and
clients, 4) determine the minimal units of discourse to codify.
Key words: verbal behavior,
therapeutic discourse, therapist verbal behavior, Empathic Following Responses,
Interpretation, investigation, change.

A TERAPIA CENTRADA NA PESSOA:
os
desafios da clínica
Elizabeth
Freire & Newton Tambara
RESUMO
A partir da
constatação de que existe um grande abismo entre a teoria da terapia centrada na
pessoa e a sua prática, os autores se propõem a investigar as dificuldades e os
desafios que surgem na prática clínica do terapeuta centrado na pessoa. A
confiança do terapeuta na tendência atualizante do cliente, imprescindível para
o sucesso do processo terapêutico, não se obtém apenas através do conhecimento
da teoria da terapia centrada na pessoa. Para tanto, é necessário que o
terapeuta tenha ele próprio vivenciado o processo de mudança terapêutica
promovido por esta abordagem. São analisados os aspectos desta mudança que
necessitam ser vivenciados pelo terapeuta. Consideram-se também algumas etapas
no desenvolvimento do terapeuta.
PALAVRAS-CHAVE:
Terapia centrada na pessoa; desenvolvimento do terapeuta; relação terapêutica.
ABSTRACT
From the
realization that there is a great gap between the theory of the client-centered
therapy and its practice, the authors aim to investigate the difficulties and
the challenges which arise in the clinical practice of the client-centered
therapist. The therapist’s trust in the client’s actualizing tendency,
indispensable to the success of the therapeutic process is not attained only
through a theoretical knowledge of the client-centered therapy. To such, it is
necessary that the therapist has himself experienced the process of therapeutic
change promoted by this approach. The authors analyze the aspects of this
change which need to be experienced by the therapist. Some steps in the
therapist’s development are considered as well.
KEY-WORDS:
Person-centered Therapy; therapist’s development; therapeutic relationship